Relato Parto Natural – Nascimento do Bernardo (parte 2)

A PRIMEIRA MADRUGADA EM TRABALHO DE PARTO

Fui deitar 2:30 da madrugada, a insônia já fazia parte do meu cotidiano desde o 7 mês! E então acordei 3:30 com uma dor… ué, que isso? Aiiiiiii! Doeu!!! Será que é o trabalho de parto? Fui fazer xixi e voltei a dormir, estava exausta e precisava dormir. 4 da manhã, aiiiiiiiii! De novo? Meu Deus!!! É! Uma dor forte, aguda, ardia e sumia. Preciso dormir mais… fecho o olho e… outra! Que? Como assim? Foram quantos minutos de intervalo? 2!!!! Jesussss! Tento mais uma vez continuar na cama… foi impossível, tava forte demais p conseguir pegar no sono.

Acordei meu marido, que dormia no outro quarto, e pedi para deitar com Antonio na minha cama. Falei que estava com um pouquinho de dor (mentira, já tava forte) mas que preferia que ele dormisse enquanto eu ficava na banheira. Amanheci lá… vi os primeiros raios do sol daquele domingo dentro de uma banheira, coração acelerado, a casa um silêncio que qualquer mexida na água parecia um absurdo. Me mantive paradinha, com água muitooo quente, tentando aliviar a dor.

Comecei a cronometrar as contrações num aplicativo do celular, os intervalos eram de 3..5…4..7 minutos! Mas meu Deus? Cade os espaços entre essas contrações? Socorro!!!
Saí da banheira perto das 8 da manhã, meu marido acordou e contei sobre os intervalos e intensidade da contração. Como assim de 3 em 3 minutos? Não tinha que ir para o hospital quando estivesse de 5 em 5? Rss

Eu estava confusa também, achei que os intervalos seriam muito maiores no começo, eu já estava com muita dor e mal dava tempo de me recuperar. Ele começou a sugerir de ligarmos para o hospital e eu tentando enrolar, apesar de estar sentindo muita dor, eu sabia que não eram as piores dores e que o parto estava longe. – Mas e se nascer aqui? Você é louca? – Não vai nascer, espera mais um pouco… já já ligamos!

Tínhamos marcado um churrasco com alguns amigos aqui em casa nesse dia, mandamos mensagem desmarcando e avisando que Bernardo estava chegando. : ))

E assim consegui enrolar até perto do meio dia, almocei dentro da banheira, a dor já estava bemmm forte e vindo de 5 em 5 minutos e então concordei em ligarmos para o hospital e avisar que eu estava em trabalho de perto.

 

HORA DE AVISAR O HOSPITAL

Ele ao telefone: … isso mesmo, já estão de 5 em 5, as vezes menos. Se estão fortes e ritmadas assim, é melhor vocês virem para o hospital! Ok, estamos indo agora.

Aceitei ir, tava doendo p caramba! Arrumei as malas que não estavam prontas, me despedi do Antonio, expliquei que estava indo buscar o Bernardo e que já já voltava ❤. Foram exatos 10 minutos até chegar lá, eu me contorcendo de dor e agarrada nos bancos e porta do carro.

Chegamos e… putzzzzz, minha carteira ficou na bolsa do Antonio. Socorro!!!! Estava sem documento nenhum! Voltamos para trás, eu não aceitei ficar sozinha no hospital de jeito nenhum, preferi morrer de dor dentro do carro mesmo. Rss Pegamos os documentos e fmos em direção ao hospital de novo.

Meu marido tinha enchido o carro de chocolate para caso eu ficasse fraca e quisesse comer, comi alguns bons pedaços durante o caminho. (Guardem essa informação ; ) )

Com documentos em mãos, chegamos no estacionamento do hospital e demos entrada. Fui direto para o cardiotoco, Bernardo estava ótimo! – Agora vou fazer o exame de toque para saber com quantos centímetros você está, ok? Hummm, deixe-me ver.. é, você está com DOIS centímetros de dilatação! O QUEEEEEE? Eu quis morrer! Dois? Tá de brincadeira????

Eles começaram a explicar todas as minhas opções… oxitocina, anestesia… e eu relutando. Não Dr. eu não quero anestesia e por isso não quero oxitocina, sei que se aplicarem ela as dores vão piorar e vou implorar por anestesia, então não quero de jeito nenhum! Ok Dani, então só resta você esperar… vou te dar paracetamol para amenizar as dores e você volta quando as dores piorarem muito, ok? Ok Dr., prefiro voltar p casa. Tudo bem, só não posso te liberar agora pq o coração do bebê está acelerado demais e precisamos monitorar. Preciso que fique mais 1 hora aqui por segurança, ok? Ok!

Fiquei lá, amarrada naquele cardiotoco, deitada numa maca sem poder me mexer para não dar alteração no coração dele. E como é que faz na hora da contração? Respira, reza e absorve! Tudo pelo Bernardo. 1 hora depois, muitas e muitas contrações depois, o médico volta. Ok, o coração está voltando ao normal, não entendemos pq acelerou.

– Dr. Eu comi um monte de chocolate antes de chegar aqui, será que foi isso? Com sorrisinho de inconformado no rosto ele diz: – sim, provavelmente foi isso! NÃO COMA MAIS CHOCOLATE, e preciso que volte aqui em 2 horas para monitorarmos o coração de novo, ok Daniela? Kkkk – ok Dr!

 

VOLTANDO PARA CASA

Voltamos para casa, abri a porta e Antonio veio correndo na minha direção: ué mamãe, cadê Beinaidi? Rss. Expliquei que ele ainda não queria vir mas que já já voltávamos lá para buscar ele.

Eu tinha duas horas para fazer essa dilatação acontecer, estava morrendo de dor e não entendia como ainda estava em 2 centímetros! Estava doendo muito mais que no parto do Antonio, tudo novo de novo!

Andei no quintal, joguei bola com Antonio, passeamos pelo jardim, comi, andei mais um pouco e deitei no sofá. Me contorci, brinquei com Antonio e esperei a hora passar… as contrações continuavam sem ritmo mas muito, muito próximas umas das outras!

Fomos de novo para o hospital, só pq o médico pediu mesmo, pq eu sabia que não estava na hora. Cardiotoco, toque e… de dois para três. Oiiiii???? Que? Meu Deus! Cadê o parto quiabo? Quadril já está mais largo… cadê???????

O Plantão mudou e um novo doutor chegou. Bonsoir, sou o médico desse plantao, e vou verificar se você está bem. (Falou tudo isso em Francês), sussurrei alguma coisa para o Rodolfo em português e o médico disse, ahhhh eu também falo português! Meu Deusssss!!!! Obrigada senhor, obrigada!!!! Quem leu a primeira parte do relato (leia aqui) já sabe o quanto eu desejava ter pessoas que falassem português comigo, né? Deus vem e coloca um médico que fala português justo no plantão onde meu parto vai acontecer? Ele é bom demais comigo!!!!!!!

Então, em português, ele começa: – Tem certeza de que não quer oxitocina? É natural… faz parte… blá-blá-blá… – Não Dr. estou certa, prefiro esperar, não quero nada! – Ok, então é melhor você ir para casa e esperar lá, ainda pode demorar muito. – Mas você estará aqui quando eu voltar Dr? -Sim, fico mais dois dias de plantão aqui, até lá você volta, tenho certeza.

 

VOLTANDO PARA CASA PELA TERCEIRA VEZ

Lá voltamos nós, devia ser umas 6 da tarde quando chegamos em casa. Dava um aperto no coração, um medo de não aguentar mais aquela dor, mas eu estava decidida! Seria natural e pronto.

Cheguei e fui direto para a banheira, Antonio jantou e entrou lá comigo, dei banho nele, brincamos e ele foi dormir. Eu, continuei lá.

parto natural

 

Papai foi fazer Antonio dormir e acabou dormindo junto, minha mãe ficou na sala e pediu para gritar caso precisasse, coloquei a playlist que tinha feito para a hora do parto, acendi algumas velas e fiquei lá, na água muito quente, sem prestar atenção na hora passar. Parei de registrar as contrações, só sentia.

O dia foi escurecendo, as músicas começaram a se repetir, o medo de não estar progredindo começou a bater. Para Dani, você já passou por tudo isso, fica quieta e espera! E ficava lá, deitada, submersa, só me contorcendo quando as contrações vinham.

 

A SEGUNDA MADRUGADA

Minha mãe avisou que ia deitar, já era perto da meia noite, e que deixaria a porta aberta. Qualquer coisa, era só gritar! Rss Lá estava eu, de novo, no silêncio da casa, um breu absurdo… só as luz das velas e minhas músicas, nada mais.

Já estava completando 24 horas de dor, de contrações malucas que vinham de 5 em 5 minutos, as vezes menos. Eu tomava muita água de coco, mas as forças já estavam se esgotando. O sono era absurdo! Fechava o olho mas não dava tempo de descansar, logo a dor vinha e eu precisava me revirar inteira para aguentar.

Meu marido acorda. Nossa! Peguei no sono. Como você está? – Na mesma! As dores pioraram, mas estou na mesma.

Ele foi na cozinha, pegou mais velas e uma taça de vinho. Sentou no banquinho do Antonio que fica no banheiro e ficamos lá. Ele tentou puxar 30 tipos de assunto, não respondi nenhum! Não dava! Eu já estava enlouquecendo de dor. Ele sossegou e ficou lá, tomando seu vinho e escutando as músicas junto comigo.

Meu Deus!! Que dor é essa? Pq está demorando tanto? Será que não vou dar conta de um segundo parto? Pq? Pq precisa ser tão mais difícil do que o primeiro? Puta merda! Tá vindo outra!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

 

A HORA EM QUE DESEJEI ANESTESIA

– Ok, agora chega! Não aguento mais. São 3:30 da manhã, vamos para o hospital. Se eu chegar lá e estiver menos que 6, quero anestesia, não aguento mais essas contrações, não tenho mais forças e preciso gritar. (Não dava p gritar em casa, iria acordar o Antonio). Ok? – Ok, vamos então!

Acordamos minha mãe para deitar com o Antonio. – Ainda estão aqui? Como você aguenta tudo isso de dor? Vai com Deus filha!!!

A terceira ida ao hospital e a pior delas, pelo amor de Deus! Pq o carro balançava tanto? Aquilo provocava mais contrações, uma atrás da outra,  com segundos de intervalos e quase pirei! Chegamos…

O recepcionista nos olha e pergunta, vocês precisam de… – AIIIIIIIIIIIIIIIIIIÍ…… – ok! Pode subir que vou avisar a maternidade de que estão indo para lá.

Os gritos ainda estavam bem contidos, mas eu já não conseguia segurar muito. Tudo de novo: cardiotoco, maca… toque e estava de seis para sete! – O QUEEEE? Pelo amor de Deus, não aguento mais! Quero anestesia. – Ok, vou chamar minha outra colega e enquanto isso vou te deixar no cardiotoco, ok? Fica deitadinha aí que já volto.

Misericórdia, deitadinha? Quase pirei para me aguentar lá! Não podia me mexer para não alterar os batimentos dele, no fundo queria sair correndo e pedir socorro ao primeiro ser que aparecesse na minha frente.

Acabou o exame e veio outra enfermeira, que na verdade são parteiras, os partos aqui são feitos por elas e só em caso de risco os médicos aparecem na sala. Falei pra ela que não estava mais aguentando, que estava muito fraca e queria anestesia.

– Mas você não disse que queria natural? – Disse, mas não estou aguentando de dor! Já passaram 28 horas de trabalho de parto e ainda estou com 7 de dilatação, não aguento mais….

– Calma, pensa bem! O anestesista não está aqui, até eu chamar eele vir vai levar pelo menos 1:30h e pelo que estou vendo, seu filho já estará nascendo quando ele chegar. Pensa mais um pouco que vou ali e volto já, aí você me fala…

– Meu marido falando: você queria tanto sem anestesia, não consegue aguentar? Agora já está quase no fim… e eu me contorcendo de dor!

Tava na cara, estavam tentando me enrolar!!!!

 

MEU PARTO NA ÁGUA BABOU!

A parteira já entra na sala falando: – A sala de parto na água está ocupada, mas temos uma onde você pode ficar dentro de uma banheira, só precisa sair na hora de nascer. Você quer ficar lá? – Quero! Por favor, preciso ficar na água!!!

Tirei toda a roupa e entrei na banheira, uma banheira gigante onde eu conseguia me esticar inteira e ainda sobrava espaço, uma delícia, porém não menos doloroso. Eu já gritava! Agarrava nas laterais da banheira e esperava passar. Já não fazia a menor ideia do intervalo das contrações, eram poucos segundos onde eu conseguia falar alguma coisa, mas, diferente da primeira gestação, eu estava completamente lúcida. Entendia tudo, respondia tudo, sabia que a dor estava muito intensa e que a dilatação estava aumentando.

parto humanizado

 

Quem leu o relato do Antonio (leia aqui) sabe que lá descobrimos que se meu marido apertasse meu quadril, a dor diminuía muito. Então assim que as dores “de outro mundo” começaram, ele entrou na ativa! Apertava meu quadril com todas as forças, até a contração acabar. Eu ficava toda vermelha no lugar onde ele apertava, de tão forte, mas o alívio era tanto que eu mal deixava ele sair do meu lado.

– Amor, pega um top azul que tá aqui na bolsa… não! Volta volta volta, tá vindo outra! Corre!!! E ele voltava correndo. – Amor, coloca a câmera p fil… nãoooo! Volta! Aperta, aperta forte!!! Não sai daí!

– Vai, acabou essa! Corre, liga a gopro p começar a filmar, já tá doendo muito e deve estar no fim! A parteira me perguntou se eu queria alguma essência no quarto, pedi alguma relaxante. Depois ela me perguntou se eu queria um gás alguma coisa rss era um gás que me deixaria zonza e amenizaria as dores, óbvio aceitei! Não faço a menor ideia se funcionou ou não!

Mal ele coloca a gopro acoplada na cabeça e eu grito, chama ela!! Quero empurrar, tô com vontade de empurrarrrrrr. Lá sai meu marido, gritando em PORTUGUÊS… – “alguém, ela quer empurrar, vem alguém aqui, o bebê tá querendo empurrar” kkkkkkk elas perceberam o desespero dele e vieram correndo, mas só então ele começou a explicar em Inglês, ninguém estava entendendo nada e eu gritando. Como eu não poderia ter o Bernardo naquela banheira, foi uma correria para me tirar de lá. De novo, fui andando até uma outra sala! Perguntei novamente sobre a sala de parto na água, mas a limpeza do parto anterior ainda estava sendo feita. : (

Andei até a nova sala, elas arrumaram tudo correndo e sentei na banqueta, a mesma onde tive o Antonio. Só que, a vontade de empurrar sumiu! Eu urrava de dor e nada da vontade de empurrar voltar, que ódio!!!! Eu preferia estar lá na água então!

Parto Natural na Suíça

 

PARTO NA SUÍÇA

Até este momento, o médico não tinha aparecido, na verdade, aqui na Suíça os partos são feitos pelas parteiras e o médico só é chamado em caso de emergência ou, no nosso caso, o plano cubra a presença de um. Eu disse para as parteiras que não queria médico nenhum, que não precisava e estava me sentindo segura com elas, mas meu plano exigia que ele estivesse presente na hora do nascimento e então ele veio.

Era o médico que falava português, lembram? Ele ainda estava lá. Já era o fim do plantão dele, mas graças a Deus, ele ainda estava lá.

Chegou e ficou no cantinho da sala. Rodolfo sentado atrás de mim, eu na banqueta e uma parteira na minha frente. Ela dizia: – Dani, me abraça, pode me abraçar! Vc é forte, seu filho quer nascer! Vamossss, preciso que vc faça força. – Ok! Eu só concordava com a cabeça e esperava outra contração chegar… gritava horrores e nada de conseguir fazer força, nada!

– Então o que você acha de eu estourar a sua bolsa? Tenho certeza de que quanto estourar, ele desce de uma vez… fico em silêncio…. mas você é quem sabe Dani, o parto é seu! Só vou fazer o que vc quiser… ok! – Pode estourar! Eu já não aguentava mais, minhas pernas tremiam, as forças não chegavam até o fim, eu parava no meio e a contração era “perdida”… já estava desesperada e achei que estourando a bolsa tudo se resolveria.

Bolsa estourada e… NADA! Só contrações atrás de contrações e nada de conseguir empurrar!

Ela começa a falar em Francês com o médico e as outras parteiras que estavam no cantinho da sala e eles saem. – Dani, pedi para eles saírem para não te pressionar, não se preocupe que eles estão aqui na sala do lado, é só eu chamar.

Aquilo me deu um gelo! Se ela estava pedindo para eles saírem, era pq ainda ia demorar!!! Eu não aguentava mais, meu Deusssss, o que eu faço? Me socorre!!!

Contrações e mais contrações! – Dani, não grita mais! Usa toda sua força para empurrar… – aaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhh e parava no meio, ardia, tremia, corroía por dentro e nada! Olhava para meu marido e dizia que não sabia mais o que fazer, que eu não aguentava mais.

– Eu sei Dani, eu sei! Você precisa ser forte! Faz força, chama ele. Chama o Bernardo, fala com ele…

Eu já estava exausta, com medo, perdida… era a dor que eu senti nos 20 minutos de expulsivo do Antonio, só que já estava completando 2 horas! Incrédula de que meu segundo parto já estava durando mais que o primeiro, vi os raios do sol surgindo na sala, já estava amanhecendo e eu continuava ali, sentada na banqueta e tentando criar forças para empurrar, tudo em vão!

Parto Natural

 

A parteira começa a ajeitar algumas coisas e me fala, – Dani, meu turno acabou e minha colega vai continuar com vc, ok? Era só o que me faltava!!!! Iam mudar as pessoas e eu continuava ali, era o fim. Ela percebeu meu susto e me acalmou. – O meu turno acabou mas se você quiser eu posso continuar aqui, é só você me pedir. Na hora eu não consegui responder, a incerteza de tudo estava me deixando apavorada e não respondi nada. Quando percebi elas já tinham trocado e a outra parteira já estava comigo.

– Dani, os batimentos do seu filho estão caindo, precisamos fazer ele nascer. Ok? Vamos mudar de posição, aí você não vai conseguir! Tenta vir aqui e ficar de quatro. Levantei da banqueta e a dor foi tanta que chegava a me arrepiar, tremi inteira e mesmo querendo que ele nascesse, não consegui e voltei para trás. – Não dá! Não dá! Estou sentindo muitaaaa dor lá embaixo! Não está normal.

Comecei a gritar enlouquecidamente e o médico voltou para sala, eles sabem pelo grito que o bebê está para nascer!

– Por favor, eu não aguento mais! Podemos ir para água? – Água? Vcs quer ir para água Dani, é isso? Ok! Vamos arrumar a sala correndo.

Ela saiu e voltou em 3 minutos mais ou menos. – Vamos! Está pronta. Você precisa ir andando até lá, vai!!!! Levantei, segurei na maca e…. – ahhhhhhhhh, não dá, não dá!!! Ele tá descendo! Ahhhhhhh Bernardo, filho! Pelo amor de Deus amor, vemmmmm! Filhoooooo, mamãe não aguenta mais! Vemmmmmmm!

Parto Natural

 

Não existia a possibilidade de andar, ele estava nascendo! Eu fazia toda a força que existia em mim, empurrava e nada! Fiquei de cócoras e tremia muito, meus pés doíam pq não aguentavam mais suportar o peso do meu corpo e nada de ele nascer.

Rodolfo se abaixa na minha frente e começa… – Amor!!! Eu tô vendo ele, faz força! Ele quer nascer… ele tá vindo! Pega nele, pegaaaa, é a cabeça dele! Sente!

Eu já não estava mais acreditando que conseguiria fazer ele nascer, achei que passaria mais horas ali e isso me apavorava. Deslizei minha mão e a parteira começou a falar: – é ele! Pega nele, está sentindo? Eu senti algo mole, enrugado… – é ele? Isso é ele? Ah não! Então ele
Vai sair!!!!

Não tirei mais a mão dele, fiquei tocando até vir a próxima contração. Quando senti a contração vindo, prendi a respiração, agarrei nos lençóis da maca e empurrei! – Vai amor, vai!!! Ele tá saindo, vaiiiii! A parteira saiu de cena e ficou só nos observando, o médico só chegou até mim para arrumar o cardiotoco que monitorava o coração do Bernardo e nada mais. Era eu e meu marido, nós dois estávamos fazendo o parto do nosso filho.

– Você é forte! Vai Amor, ele tá aqui, eu tô vendo ele!!!!

Eu com uma mão na cabeça dele, senti que saiu e começou a girar, a outra mão contorcia o lençol em cima da maca, meu marido praticamente deitado em baixo de mim, só esperando ele sair. Tinha que ser agora!!! Eu sabia que aquela dor estava intensa demais, era uma dor externa além da interna, loucura!!! Empurrei com meus últimos minutos de lucidez, fiz a maior força da minha vida! Saiu!!!! Ele saiu!!!! A parteira surgiu na minha frente e… – Calma, calma!!! Ele está enrolado no cordão… nos segundos que olhei vi umas 3 voltas no pescoço mais uma em volta do corpo, não sei ao certo quantas eram no total.

cordão umbilical enrolado no pescoço

Ela tirou tudo em 5 segundos e puxei ele, grudei em mim e me soltei para trás, esmoreci, zerei… me anulei. Essa foi a hora em que sai de mim, meu corpo entrou em transe! Meu marido continuava na minha frente mas eu não enxergava ninguém, surgiram outras pessoas me segurando e falando alguma coisa que não faço ideia do que era. O médico continuava lá, no cantinho da sala! Agora lembro bem qual foi o papel dele no meu parto, ele ajustou o tripé da câmera na direção certa quando o Bernardo foi nascer, Graças a Deus ele estava lá, ou eu não teria vídeo algum! Rsssssss

cordão umbilical enrolado no pescoço

parto humanizado

parto humanizado

A parteira começou a nos agradecer, – vocês foram incríveis!!!! É por partos assim que estudei! Vocês me deram um presente hoje! Eu nunca tinha visto um casal fazer um parto sozinhos, vocês foram lindos! Obrigada, obrigada e obrigada. Eu só ria e agradecia tbem. Não estava estendendo direito. Depois que assisti o vídeo, eu entendi! Rodolfo deitou na minha frente na hora que comecei a encostar no Bernardo e a Parteira ficou “excluída” do momento. Ela olhava para o médico como quem dizia, o que está acontecendo? Não consigo fazer nada aqui. E continuava parada, só olhando o Rodolfo me incentivar, eu encostar no Bernardo e gritar para ele sair. Foi lindo realmente, mas só depois tomei conta da dimensão do que tínhamos feito.

Parto natural do Bernardo

 

Meu filho nasceu lindo, forte e enorme!!!! 500g a mais que o Antonio e por isso o parto foi mais difícil! Ele era muito maior!

 

Parto natural do Bernardo

parto de cocoras

 

Ficamos ali por uns 20 minutos, no chão, cheia de sangue, mecônio e amor! Me ajudaram a levantar e deitar na maca, Bernardo grudado na mesma posição que coloquei quando puxei ele para mim. Ali ficamos, eu e ele. Foram 2 horas com ele em cima de mim e só depois disso me pediram para colocar roupa nele. Só roupa! Nada de procedimentos! Pesou, colocou roupa e entregou para o papai. Aquele cheiro, o cheiro do parto! Cheiro de vida! Cheiro da dor. Senhor!!!! É alucinante!

 

amamentação na primeira hora de vida

 

Dor, que dor? Eu nem lembrava mais de dor… só estava ali, plena, cheirando minha cria e impressionada com a capacidade que uma mãe tem de suportar dor pelo filho. Meu parto foi exaustivo, surpreendente e completamente diferente do primeiro, mas tão revelador quanto! Se eu me transformei no primeiro parto, agora eu tinha chegado ao patamar master do empoderamento! Eu era a mãe do Bernardo e do Antonio, eu era foda!

 

parto na Suíça

 

O COMEÇO DO PÓS PARTO

– Dani, já se passaram 20 minutos e a placenta não saiu, vamos precisar chamar um anestesista com urgência, para retirar ela, ok?…

Isso mesmo! Meu parto ainda não acabou! Mas isso fica para o próximo post, esse aqui é sobre coisas boas, divinas e únicas na vida. O resto é só o resto!

amamentação

paternidade

 

Beijos e se inspirem!!!! Nós sabemos fazer partos sozinhas, acreditem!!!!!

Para ler a primeira parte do parto, clique aqui.

Para ler o relato do parto do Antonio, clique aqui.

Dani

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