Relato parto natural – Nascimento do Bernardo (parte 1)

A GESTAÇÃO

Se eu parasse para contar tudo sobre minha gestação + parto, poderíamos passar uma madrugada todinha batendo papo, então, vou dividir por etapas, tá? Primeiro deixa eu contar como foi minha gestação e as loucuras que fiz em busca de um parto natural e humanizado.

Camboja

O COMEÇO DE TUDO…

Eu: Amor, acho que quero ter outro filho logo!
Ele: Mas e nossa viagem pela Ásia? Melhor deixarmos para quando voltarmos dela, não?
Eu: é verdade, então tá! Daqui 6 meses começamos a tentar.
Ele: ok!

10 dias depois…

Eu: amor! Quero tentar logo, seja o que Deus quiser, se ele preferir, vai mandar só daqui 6 meses, então vamos deixar rolar!
Ele: ok! Combinado então.

1 mês depois…

Você pode conferir como fiz a surpresa mais linda de nossas vidas AQUI, é o vídeo de eu contando p ele que estava grávida ❤, esse vídeo viralizou e foi parar até no Fantástico. Já começamos nessa emoção toda!

 

A DESCOBERTA DA GRAVIDEZ

Descobri que estava grávida 3 semanas antes de irmos para o Brasil, onde passaríamos as festas de fim de ano. 2 semanas depois de descobrir comecei a sentir os sintomas da gravidez, tudo novidade p mim, já que não senti absolutamente nada na primeira gestação.

Passamos 40 dias no Brasil, mais fiquei deitada no sofá passando mal e derretendo de calor do que aproveitei a viagem…

Voltamos para casa, era nosso primeiro inverno na Suíça, o quintal coberto de neve deixava os dias lindos, mas não menos sofridos. Eu enjoava o dia todo, tinha um cansaço absurdo e além de tudo isso, tinha um bebê de 2 anos que me demandava um esforço tremendo. Cheguei a chorar de culpa por não dar conta de atender às necessidades de atenção do Antonio. Assim fomos até a 19 semana!

Depois disso, melhorei e consegui ter uma vida mais normal. Viajamos bastante e aproveitei para curtir muito o Antonio.

Tailândia

Tailândia

O PLANEJAMENTO DO PARTO

Aí então comecei a pensar ativamente sobre meu parto, como seria e onde seria.

Cheguei na consulta de 28 semanas e tentei falar sobre o parto com meu médico, sobre querer parto na água, não querer episiotomia entre outros detalhes e ouvi um ” Ainda está cedo para isso, tudo vai depender de como sua gestação for” e já senti algo de errado! Nesta mesma consulta o médico me alertou sobre minha pressão, estava alta e precisaria de remédio. Eu estranhei já que nunca tive problemas com pressão, nem mesmo na gestação do Antonio, resolvi comprar um medidor de pressão e controlar. Tomei o remédio por 1 semana e medi a pressão todos os dias, ela só dava baixa demais! Meu coração mandou e eu obedeci, parei total o remédio e continuei medindo a pressão, adivinhem? Normal! Todos os dias!!! O médico media minha pressão assim que eu chegava no consultório, depois de subir escadas, andar com Antonio no colo e chegar toda alvoroçada, óbvio que ia dar alta!!! Parei mesmo e não toquei mais no assunto, até hoje ele deve achar que eu tomei o remédio até o fim da gestação. Rss

Lá na frente… depois de mais duas consultas, chegamos na 37º semana e fomos para o consultório, eu, meu marido e Antonio. De novo tentei falar sobre o parto e me sentia um pouco ignorada, eu queria detalhes de como seria e ele não respeitava isso, só respondia que na hora veríamos como seria. Eu já estava totalmente desanimada do médico, antes da consulta cheguei a comentar com meu marido sobre isso, e quase no fim, quando ele já estava me prescrevendo remédio para azia, ele soltou, olhando para um amontoado de papeis “seu líquido amniótico está baixo, vamos fazer um exame daqui 4 dias para confirmar se aumentou”. Levei um susto, gelei, paralisei! Oi? Mas ele nem mediu o líquido, como sabe que está baixo? Então questionei… “e qual a chance de eu não sair mais da clinica onde vamos fazer o exame?” Ele respondeu… “se o líquido não aumentar até lá, vamos ter que induzir”. Um buraco se abriu na minha frente, algo que não sei explicar, fiquei parada, dura, incrédula e só respondi… ok! Até sexta então. E sai da sala…

Foi só o tempo de entrar no carro para desabar! Eu sabia!!! Eu sentia!!! Meu sexto sentido não falha! Ele está tentando me enganar, eu já sabia disso!!! Chorei, chorei e chorei!

Voltamos para casa, eu nervosa, assustada e perdida e meu marido me perguntando “mas e se for verdade, e se o líquido realmente estiver baixo?” Jesussss! Eu sei que ele não tem culpa e que a ideia de ter algo errado com o filho é assustadora, mas ter que convencer mais um, naquele momento, de que o médico estava me enganando, não foi fácil! Eu sabia que eu estava bem, que Bernardo estava bem! Eu só não queria ter que provar isso, de novo, para todos ao meu redor.

Fiquei puta! Calada e irritada! Estou na Suíça, aqui todos falam Francês e eu não, não podia simplesmente sair ligando para todos os médico pedindo ajuda, eu não conseguia. Meu marido, depois de algumas horas, entendeu que teria que fazer algo ou eu ir derrubar a casa e matar todo mundo rss e então resolveu tomar minhas dores.

Começou a ligar para algumas parteiras pedindo opinião, perguntando se poderiam vir até minha casa (aqui isso é comum) e confirmar se meu líquido estava baixo mesmo. Eu não parava de chorar e ele não parava de ligar atrás de alguém que nos desse uma luz.

Já eram quase 9 da noite quando ele resolveu ligar no hospital público da nossa cidade, tentando falar com um médico.

Ele falando em Inglês…
“Boa noite, tudo bem? Minha esposa está grávida de 37 semanas e hoje tivemos uma consulta com nosso obstetra, ele disse que o líquido amniótico esta muito baixo e ela ficou muito preocupada, está em dúvida se realmente algo está errado.”

Uma mulher responde ” Claro, o que posso fazer por vocês é examinar ela, venham até aqui que faço um ultrassom e tiro as medidas do líquido, o que você acha?”

“Claro! Pode ser sim. Qual seu nome Dra?”

“Mônica Borges”

“Borges? Esse nome é de onde? Por acaso você fala português?”

E em português ela responde…

“Sim, falo sim!”

Meu Deussss! Era Deus me ajudando, só pode! Já levanto do sofá e começo a falar… avisa que estamos indo agora! Alguém que fala português é tudo que eu preciso para resolver isso!!!

E lá fomos nós 3, tarde da noite, entender o que de fato estava acontecendo.

Maya Bay

A CHEGADA AO HOSPITAL

Chegamos no hospital e ela já estava nos esperando, contei toda a história, explicamos que no Brasil o número de médicos que inventam indicações de cesáreas é gigante e que por isso estávamos tão receosos, que eu queria ter certeza de que o médico não estava me enganando.

“Ok, vamos te examinar e no fim conversamos”

40 minutos de cardiotoco, pressão ok (raá), temperatura ok, urina ok, vamos para o ultrassom.

Um adendo. Passei o dia pesquisando como era feita a medida do líquido amniótico num exame de ultrassom, sabia exatamente quais números tinha que dar, onde ela mediria e que resultados seriam preocupantes.

Deitei na maca e ela começou. Repetiu 3 vezes a medição dos espaços com líquidos, que era p ter certeza. No meio do exame eu, que estava acompanhando os números na tela, olhei para o meu marido com um sorriso maroto como quem diz, eu já sabia!

A Dra: “Bom, eu medi 3 vezes e seu líquido amniótico está normal. Você não tem como se preocupar”

30kg saíram das minhas costas, respirei fundo e enchi ela de perguntas…

“Pq será que ele disse isso? Aqui é comum isso acontecer? Achei que cesária desnecessária era só no Brasil, achei que eu estava segura aqui”

“Dani, você precisa entender que ele é meu colega de trabalho, eu conheço seu médico, não posso falar que ele está mentindo. Talvez ele tenha confundido, não sei! Mas me fala, pq vc veio aqui hoje?”

Eu respondi:
“Pq eu precisava saber se meu filho está bem”

“Então pronto! Ele está ótimo! Você não tem com o que se preocupar.”

Então começamos a conversar sobre o parto. No fundo eu já sabia que não conseguiria ter meu filho com aquele médico, então comecei a buscar saídas. Descobri que na verdade eu não precisava de médico nenhum! Era só esperar a hora do parto e ir para o hospital, aquele mesmo em que estávamos. Descobri também que a sala de parto desse hospital era a sala que eu sempre sonhei, com banheira especial para parto, luz baixa, música, bolas… mas ué! Hospital público que faz parto na água? Na minha cidade? Que estranho! Meu médico disse que aqui na cidade não havia local para parto na água, só a clínica particular da cidade vizinha… muitooo estranho, né? A cada descoberta mais enfurecida com o médico eu ficava! Ele me enrolou direitinho!!!

“Vocês querem conhecer a sala de parto? Assim, se vocês optarem por ter o parto aqui, vocês já conheceram”

Foi o último empurrão para decidir de vez, quero meu parto aqui! A sala é surreal! Até agora não acredito que é um hospital público.

Voltamos para casa, de coração leve e mente pesada! Eu queria matar aquele médico… e pensando nisso, a vontade de ir até a próxima consulta, esperar ele medir o líquido amniótico e mentir de novo na minha cara, só aumentava! Eu queria ir só p esfregar na cara dele de que não sou tonta! Eu leio! Eu sei! Eu pesquiso! Sei tudo sobre meu corpo e sobre os riscos reais de uma gestação, ele me tratou como leiga, e peguei ele na curva! Massss, meu racional me fez acalmar e não querer passar um nervoso desses às 37 semanas de gestação.

 

A TROCA DE MÉDICO COM 38 SEMANAS

Chegamos em casa e meu marido me olhou, riu e perguntou: posso mandar o e-mail agora? Eu respondi: sim, pode mandar!

Ele escreveu uma “carta” explicando ao médico de que eu tinha ficado muito nervosa após a consulta, que por isso fomos até o hospital e, após os exames, decidimos ter o parto neste hospital por acharmos que ali o nascimento se aproximaria mais do que eu esperava.

Sabe o que o médico respondeu? “Ok, vocês tomaram a decisão certa”. Nesse momento eu tive a certeza absoluta de que ele iria induzir meu parto e depois, que eu não tivesse dilatação (eu estaria com 38 semanas, óbvio que não teria dilatação) entraria numa cesárea desnecessária.

Eu estava sem chão, não acreditava que isso estava acontecendo comigo, justo aqui? Onde imaginei que cesáreas não aconteciam se não fossem extremamente necessárias! Mas estava tranquila e decidida, o parto seria meu e do meu filho, ninguém mais tentaria tirar isso de nós.

Nessa mesma semana uma parteira, daquelas que ligamos no dia do desespero, veio aqui em casa. Já tínhamos marcado com ela e resolvemos manter, assim podíamos conversar sobre partos com alguém neutro.

Questionamos tudo! Parto em casa (que meu ex médico dizia não ser comum na Suíça e que na verdade é comum demaissss), clínicas particulares, hospital público, episiotomia, cordão umbilical… tudo! E sabe o que mais descobrimos? Que, realmente, cesáreas são mínimas aqui na Suíça, mas que geralmente elas ocorrem mais em clínicas particulares, opa! Eu ia p uma!! E quando as férias estão chegando, pq os médicos querem viajar! Meu Deussssssssss, era isso! Na semana seguinte, logo após o dia do exame que ele tinha marcado, começava a época de férias aqui na Suíça. Filho da mãe, que ódio!!!!

Raiva passada, estávamos radiantes e confiantes! Eu acreditava mais do que nunca no meu sexto sentido e estava confiante do parto que estava para chegar, agora sim, seria do meu jeito, ou melhor, do jeito que Bernardo escolhe-se.

Apenas continuamos aguardando o sinal dele..

Railay Beach

O PARTO

Agora o tão desejado parto, vem no próximo post, tá? Eu só queria escrever essa parte para alertar! Desconfie! Questione! Questione de novo! Leia, saiba o que pode acontecer, saiba as etapas de uma gestação e de um parto, não deixe que te enganem! Não caia nessa de “médico da família e confio 100%”! Ser humano é bicho esquisito, ele não vai pensar em você antes dele, desconfie primeiro para depois confiar, assim você pode evitar cair nesses egoístas que existem por aí.

Saiba quais são as reais indicações de cesáreas e, por favor, não deixem que roubem seu parto! Lute por ele, vale muito a pena.
Posto logo mais o relato do parto, espero inspirar mais grávidas com toda essa novela que foi esse meu  rss

Para ler o relato do parto do Antonio, clique AQUI.

Beijos e podem comentar aqui em baixo se tiverem alguma dúvida, ainda estou no calor da emoção e não sei se me fiz compreender no texto kkkkk

 

Beijos

Dani

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